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Quero começar por dizer que esta secção é apenas a minha opinião pessoal, que não é baseada em estudos, ditos "verdadeiros", sobre a Ciência Moderna, que sendo um tema aberto, é sujeito a diferentes opiniões e críticas. Tentarei actualiza-la regularmente com mais argumentos e ideias que possam questionar e para alguns responder, a alguns dos temas mais polémicos da Ciência em geral e da Biotecnologia, Bioinformática e Nanotecnologia em particular.

Perspectiva Histórica
Biotecnologia
Bioinformática
Informação científica
O elo perdido: Sabedoria na Informação Científica
Nanotecnologia

Perspectiva Histórica

Desde o início dos tempos que o Homem tenta classificar o mundo que o rodeia, construindo hierarquias e agrupando as coisas maioritariamente por razões pragmáticas.

Aristóteles (séc. IV AC) foi o primeiro a criar uma classificação sistemática real, dando assim verdadeiramente início à Ciência Natural.

A classificação de Aristóteles era feita através da observação sistemática: comparando as diferenças e as semelhanças entre coisas na sua Essência, não permitindo a separação entre Ideal e o Natural.
Postulou que para se possuir o conhecimento de um objecto particular, tem que se ter o conhecimento da substância essencial que está na coisa em si.

Assim baseou sua nomenclatura na ideia por trás dos seres:

  1. Os seres inanimados tinham a classificação mais baixa,
  2. Seguidos das plantas pela capacidade de nutrição,
  3. Animais pelo movimento
  4. Finalmente os seres humanos com a racionalidade.

A definição de Género tomou forma, de modo que nenhuma espécie fosse deixada de fora.

Estas definições poderiam ser imperfeitas por:

  1. Obscuridade,
  2. Demasiada abrangência,
  3. Não se conseguir encontrar os atributos essenciais para fundamenta-las.

Esta perspectiva humanística Aristotélica da natureza e da ciência durou por mais de doze séculos. No século XV – XVII com as descobertas de Copérnico (1473-1543) com a teoria heliocêntrica e de Galileu Galilei (1564-1642) que o seguiu e os iniciou o denominado “método experimental”.
 Isaac Newton (1643-1727) continuou esta linha do pensamento, provocando um ponto de viragem nas ciências naturais, afastando-as do domínio filosófico.

Esta quebra com a Ciência Clássica pode ser resumida a três mudanças básicas na maneira como a Ciências passou a ser vista:

O Pragmatismo substituiu a Filosofia; O Génio substituiu a Sabedoria; e a Criação Engenhosa substituiu o Pensamento Inteligível.

Foi então a pedra basilar que desviou a perspectiva humanista da Ciência Clássica e substituindo-a por um método pragmático e de decomposição.

O filósofo René Descartes (1596-1650) tem um peso importante neste caminho tomado. Considerado pai da Ciência Moderna, corta definitivamente com ponto de vista humanista de Aristóteles, que tinha sido mantido pela Igreja até essa data.

Tentando que o trabalho Científico fosse feito sobre a Verdade, sem sombra de dúvida, emprega o método do cepticismo, no qual se duvida de tudo que não é facto provado. Defendendo ainda que o conhecimento sobre o mundo é adquirido pela dedução e percepção.
No seu Discurso do Método, indica que pensar é a única coisa da qual não se pode duvidar (soma do ergo do cogito), e que não se pode confiar nos sentidos mas somente no pensamento.

Esta viragem pode parecer uma maneira racional de tratar a ciência, e apesar de ser um passo dado no sentido do pensamento inteligível, reduz a Ciência a postulados matemáticos. Esquecendo-se completamente das Ideias: essência dos seres, natureza como um todo e perspectiva humanista.
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Biotecnologia

A Biotecnologia faz parte do grupo das tecnologias disjuntivas (tecnologias que provocam avanços impares em relação ás anteriores, mudando completamente esse segmento, damos como exemplo a electricidade ou o motor de combustão), e como tal, provoca nas sociedades uma necessidade de avaliar as suas consequências ético-filosóficas. Nos últimos anos o crescimento da Biotecnologia e seus recursos, bem como o sequenciamento do genoma humano, trouxe para a praça pública inúmeras discussões.
Muitos dos ataques ao desenvolvimento biotecnológico, assenta no receio de que a manipulação genética de organismos possa conduzir a malefícios para o ambiente e para a biodiversidade. Outros pontos que geram bastante controvérsia são: a clonagem de humanos, manipulação do genoma e células estaminais, possíveis efeitos nocivos dos produtos transgénicos e de outras manipulações que se possam transformar num risco biológico (pragas, doenças, bioterrorismo) ou a questão das patentes. Estes receios devem conduzir a um estudo do custo-benefício em termos de impacto no bem-estar do Homem.
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Bioinformática

A Bioinformática é uma das áreas científicas com maior crescimento na última década, com o crescimento dos dados biológicos há uma importância crescente desta área na sociedade. Com isto, uma necessidade óbvia de um olhar filosófico destes problemas, suportados pela maneira sábia de pensar do passado.

Construir o trabalho bioinformático com esta ideia como base, é uma reflexão que dará uma perspectiva humanística a todas os ramos e níveis da biologia computacional, desde o sequenciamento à função da proteína, começando com o estudo ontológico e cobrindo as principais questões relacionadas com dados biológicos.
Este trabalho mostraria o caminho para as áreas as mais importantes da bioinformática como: ontologia e bases de dados, predição genética, predição da função proteica, proteómica, transcriptómica e metabolómica, genética humana, filogenia, expressão genética, bem como ás limitações e questões.
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Informação científica

A chegada de métodos automáticos de sequenciamento, maquinaria de laboratório sofisticada, bem como de software de análise de dados, criou uma enorme quantidade de dados que são inúteis sem o contexto biológico apropriado.
A necessidade de transformar estes dados em conhecimento, conduziu à ascensão do campo da bioinformática, focada cada vez mais na manipulação desta informação.

Para ilustrar esta busca do conhecimento, vamos dar o exemplo da busca da função da proteína.

  1. Primeiro obtém-se a sequência de DNA traduzindo-a na sua sequência de aminoácidos;
  2. Alinham-se na busca de assinaturas particulares que permitam comparar com outras famílias de proteínas ou bases de dados de proteínas, a fim encontrar a estrutura secundária e estruturas seguintes.
  3. Recorre-se à pesquisa de padrões de sequência bem como de informação cruzada, na tentativa de predizer a função da proteína.
  4. Toda esta dependência em software, anotações, bases de dados e no cérebro humano faz a atribuição de função automatizada, na melhor das hipóteses questionável, e frequentemente errada.

Podemos traduzir este problema em duas questões:

-          É a ciência meramente busca de padrões?
-          É possível traduzir todos os sistemas biológicos em termos de padrões matemáticos?

Acredito que a ciência tem que ser mais do que uma busca padrões se queremos atribuir alguma lógica ao processo, e também que deve ser impossível transformar todos os processos biológicos em modelos matemáticos.

Sem este cuidado podemos perder a perspectiva, e uma obsessão com padrões pode não nos deixar ver a verdade, como é exemplificado na história PI, onde um matemático paranóico procura por um número chave que permite conhecer todos os padrões universais encontrados na natureza, e acaba por encontra-los para onde quer que olhe.

Um dos primeiros campos para verificar a necessidade do conhecimento, é na inteligência artificial em mineração de dados; porque a compreensão do contexto do texto, não apenas as relações gramaticais entre as palavras. Isto resultou num esforço enorme para desenvolver ontologias que possam representar o tipo do conhecimento que para o ser humano é conhecimento adquirido.
Mas mesmo as ferramentas inteiramente automatizadas não o conseguem, daí o facto de apenas podermos confiar na colaboração homem-máquina.
Na qual os computadores realizam as tarefas matemáticas, e os seres humanos a inteligência, fundamental para dar sentido à informação.

Acredito que se não se tiver cuidado de futuro na busca do conhecimento contido nos dados, e tratar com cepticismo a análise da informação, podemos imprimir erros definitivos na informação científica, como Dorian Gray em seu retrato de Oscar Wilde, pela vida que levou.

Mas, mais assustadora é a possibilidade que, tal como Dorian Gray, os nossos erros possam condenar a ciência para sempre.

Temos que garantir que a ciência não evolua à custa da propagação de erro.
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O elo perdido: Sabedoria na Informação Científica

É da minha opinião, e pelo que tenho visto pela consulta de literatura, que a razão principal em criar ontologias é a de resolver problemas práticos dos dados, informação e conhecimento biológico, consequentemente um problema pragmático. Isto acarreta a necessidade ainda maior de uma aproximação filosófica.

Tendo a pensar que devemos tentar ser o mais objectivos possível, e procurar os nomes pela essência dos objectos como indicado por Aristóteles.
No caso da bioinformática, eu penso que a construção de ontologias é uma questão pragmática que levanta questões filosóficas e que tem complexas respostas na Filosofia.

Comparando a reflexão de Aristóteles sobre as causas que actuam nas coisas, com a busca de conhecimento científico, então temos:

Aristóteles

Recuperação da pesquisa

Pergunta levantada

Causa material

Dados

Do que é feito

Causa eficiente

Informação

Como é feito

Causa formal

Conhecimento

O que é

 

 

 

Devemos então, cada vez mais ganhar a compreensão necessária para o efeito, através da quarta etapa Aristotélica, para finalmente podermos criar uma ontologia científica completa e para encontrar finalmente o elo perdido:

Causa final

Sabedoria

Para quê

Construindo o trabalho científico tendo como base a sabedoria, podemos então, aplica-la a todos os ramos e níveis da biologia computacional de arranjar em sequência à função da proteína.

Esta reflexão pretende ser um ponto de partida, onde qualquer membro da comunidade científica que visa uma aproximação mais humanística da ciência e do elevado número de novos dados biológicos, podem encontrar um estudo que revela um olhar filosófico sobre estes problemas, suportados pela maneira de pensar de milhares de anos de civilização, e pela opinião pessoal do homem mais sábio da História. Mostrando também, que a maneira sábia de pensar do passado não é incompatível com o progresso tecnológico contanto que se tenha em conta a perspectiva humanística.  

Reflectindo sobre a colossal quantidade de novos dados biológicos e qual deve ser a melhor maneira de os tratar, como o fazer, e mais importante a perspective humanística de o fazer Ajudará a comunidade científica a encontrar sabiamente, qual é o lugar ideal para todo este conhecimento, conduzindo a uma junção das necessidades científicas, técnicas, sociais e económicas e a maneira filosófica de pensar que pode conduzir o Homem para a felicidade.

“É uma coisa muito triste, que hoje em dia haja tão pouca informação inútil.”
“A verdade pura e simples, raramente é pura e nunca simples.”
“O verdadeiro mistério do mundo é o visível, não o invisível.”
Oscar Wilde
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Nanotecnologia

Os saltos tecnológicos forçam sempre as sociedades a ajustar e repensar leis, mentalidades, opiniões, crenças e por vezes até valores. No exemplo particular de tecnologias disjuntivas, aquelas que revolucionam o mercado substituindo existentes (dando como exemplo a electricidade ou o motor de combustão), são verdadeiramente uma onda de choque, que se não contida pode causar mais danos do que se benefícios.
A Nanotecnologia faz parte destes casos, pelo assombroso que é tudo aquilo que pode executar hoje em dia, mas ainda mais pelo que se espera no futuro.

Podemos então perguntar: Afinal o que é a Nanotecnologia?

O National Science Foundation Americano descreve-o como: “Pesquisa e desenvolvimento da tecnologia ao nível atómico, molecular ou macromolecular, na escala do comprimento de aproximadamente 1 – 100 nanómetros (…)”, assim pode ser vista como engenharia atómica avançada, com campos de intervenção nas áreas: bioquímica, química, física, biologia molecular, mecânica, electrónica ou na informática. É já usada em campos tão diferentes como a electrónica, hardware, biosensores, medicamentos específicos; ligas mais fortes e/ou resistentes para maquinaria, tacos ou bolas de golfe ou tinta lavável e ultra resistente.

 Mas parece que apenas podemos ter uma pequena ideia das suas capacidades. Os mais entusiásticos defendem que levará a produtos a custo praticamente nulo, computadores supersónicos, extinção da doença, envelhecimento, morte, poluição, o fim da fome ou mesmo a reintrodução de espécies extintas. Por outro lado, para os mais cépticos é o Apocalipse e os nano-seres destruirão a Humanidade.
 
Comités éticos de emergência têm sido criados, para tentar fazer algum sentido, mas têm trabalhado mais na área de criar regras do na ética propriamente dita. Têm-se feito esboços de alguns princípios: “(..) os replicadores artificiais não se podem replicar na natureza (..) o desenvolvimento deve ser restrito, sempre que possível, a participantes responsáveis (..) Os projectos do dispositivo de MNT (nanotecnologia molecular) devem incorporar mecanismos de segurança internos (..)”, para ser honesto, isto assusta-me de morte pois leva-me à Ilha do Doutor Moreau de H.G. Wells ou ao Parque Jurássico do Spielberg.

Penso que é um pouco ingénuo acreditar que ser o humano olhará algum dia para o próximo com o interesse suficiente para salvar o mundo, e que se espere que a Nanotecnologia concretize o que a agricultura massiva, a revolução industrial, a revolução informática ou os recentes desenvolvimentos na genética e na biotecnologia todos prometeram. Mais grotesco é pensar que estamos a criar uma tecnologia que vai escravizar os seres humanos e comer nossas crianças.

Os problemas éticos irão surgir, e não estes que estão sendo estabelecidos hoje, que são apenas uma questão de regras para não permitir sermos prejudicados pela tecnologia, ou que não prejudique o ambiente, os povos, as sociedades, o negócio, o comércio ou mesmo as susceptibilidades.
A necessidade urgente é preocupações éticas reais, como: a diferença entre o que é Bom ou Mau para o Homem? A tecnologia está a contribuir realmente para a melhoria no bem-estar da Humanidade? Ou nós estamos a criar continuamente necessidades e problemas novos em vez de resolver os reais? E em que caminho a Nanotecnologia nos enviará profundamente e de que maneira?
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